Rosane Magaly Martins
Ao longo de meus muitos anos de incursão em ensinamentos psicológicos, parapsíquicos, orientais e esotéricos aprendi muitas coisas. A mais importante delas me foi ensinada por mestres das mais diversas linhagens que mostram como alternativa para este novo século o encontro do homem com sua humanidade. Deveremos ingressar no século XXI com novos paradigmas educacionais, sendo que reputo o de maior importância a educação da alma.Parece, grosso modo, uma grande bobagem. Com tanto a aprendermos neste ambiente cotidiano competitivo, científico e tecnológico em que nos inserimos, falar em alma parece um desperdício, uma pieguice, no máximo uma crendice desnecessária.
Entretanto, tenho certeza que temos apenas esta alternativa. Estamos deixando a era tecnológica para nos jogarmos de cabeça na da informação, cada vez mais distantes de nossa felicidade. Celulares e sondas espaciais invadem nosso cérebro com suas ondas. Clones e transgênicos indicam nossa inconseqüência sobre a criação. A globalização, o dólar e o euro fazem um mercado comum excludente. Busch e Blair mostram que as nações submetem-se à força da guerra. As escolas não formam homens, nossas escolhas não conseguem suprimir a depressão que aumenta a estatística dos suicídios. Estamos mergulhados no caos criado por nós mesmos. Nunca se consumiu tanta droga (lícita e ilícita) enquanto DJs e VJs arranham e revolvem nossa boa música.
Por estes motivos precisamos entender rápido que educar a alma é necessário e urgente. Sabemos que há emoções naturais, que ajudam o organismo na sua sobrevivência individual e coletiva. Necessitamos de uma pedagogia do afeto, que facilite o desenvolvimento de vínculos afetivos. A alegria é uma lição fundamental na escola da existência. A tristeza é uma estratégia saudável, no contato com as perdas. Aprender a lidar com a raiva é imprescindível, na relação com o mundo. E o medo é outra lição que precisa ser trilhada no confronto com o desconhecido. Quando não temos acesso ou reprimimos nossas emoções autênticas permitimos que outro repertório seja criado, emoções distorcidas que encobrem as naturais. As mais típicas são a ansiedade, depressão, fobia, inadequação, culpa, vergonha, ressentimento, ódio, inveja, ciúme, vingança, entre outras.
O novo paradigma por uma educação integral é o de facilitar a abertura para o exercício de uma inteligência que habilite o novo ser a interpretar e compreender suas emoções, sejam elas autênticas ou distorcidas.A alfabetização emocional deve amparar esta demanda e, ainda, ensinar o homem a conviver com o outro homem de forma facilitada, cooperada para que consiga adquirir competência de atitude diante dos conflitos, dificuldades e impasses do coexistir. Este novo trilhar deverá ter a educação exercendo a sua função preventiva diante de tantas mazelas individuais, sociais e ambientais as quais estamos inseridos, derivados da ignorância emocional e do desconhecimento dos recursos da alma. Só assim o homem poderá fazer a maior descoberta do século XXI: sua humanidade, sua alma e poderá ser feliz.