EM BUSCA DE NOSSA HUMANIDADE II

 

Rosane Magaly Martins

 

Abordamos neste espaço, no final de 2004, que o único caminho para nos tornarmos seres humanos melhores será reencontrarmos nossa humanidade. Acredito que novos paradigmas educacionais devem ser visualizados não só por escolas particulares e públicas, como também em todas as instituições que tratem com o humano e suas diferentes índoles, estilos e personalidades. Até o ministro Gilberto Gil, em entrevista concedida à MTV, declarou que “a administração da variedade humana dos relacionamentos é a maior dificuldade”.

Devemos entender rápido que educar a alma é necessário e urgente. Sabemos que há emoções naturais, que ajudam o organismo na sua sobrevivência individual e coletiva. Mas necessitamos de uma pedagogia do afeto, que facilite o desenvolvimento de vínculos afetivos para que possamos deixar a era da informação para ingressarmos na era da humanização do homem, que já sofre efeitos da banalização da violência, que não sofre com a dor alheia, protegido por sua solidão.

É simples. A alegria é uma lição fundamental na escola da existência. A tristeza é uma estratégia saudável, no contato com as perdas. Aprender a lidar com a raiva é imprescindível, na relação com o mundo. E o medo é outra lição que precisa ser trilhada no confronto com o desconhecido. Quando não temos acesso ou reprimimos nossas emoções autênticas permitimos que outro repertório seja criado, emoções distorcidas que encobrem as naturais. As mais típicas são a ansiedade, depressão, fobia, inadequação, culpa, vergonha, ressentimento, ódio, inveja, ciúme, vingança, entre outras.

O novo paradigma por uma educação integral e transdisciplinar é o de facilitar a abertura para o exercício de uma inteligência que habilite o novo ser a interpretar e compreender suas emoções, sejam elas autênticas ou distorcidas.A alfabetização emocional deve amparar esta demanda e, ainda, ensinar o homem a conviver com o outro homem de forma facilitada, cooperada para que consiga adquirir competência de atitude diante dos conflitos, dificuldades e impasses do coexistir.

Roberto Crema, vice-reitor da Unipaz (Brasília), disse recentemente em Blumenau que este novo trilhar deverá ter a educação exercendo a sua função preventiva diante de tantas mazelas individuais, sociais e ambientais as quais estamos inseridos, derivados da ignorância emocional e do desconhecimento dos recursos da alma. Só assim o homem poderá fazer a maior descoberta do século XXI: sua humanidade, sua alma e poderá ser feliz.

 

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